NOTA DE REPÚDIO E MANIFESTAÇÃO DE SOLIDARIEDADE

29/10/2025 | Local

“Nenhuma política de segurança pode ver a morte como sucesso”.

Hoje somos forçados a olhar para a chacina realizada ontem (28/10) nos territórios da Penha e do Alemão, que resultou em número de mortos sem precedentes numa mesma ação.
Como sindicato de arquitetos e urbanistas do Estado do Rio de Janeiro, acreditamos que a segurança pública não é apenas um tema relativo ao policiamento ou a falta dele: é uma questão de território, de planejamento urbano, de gestão, de arquitetura, de urbanismo e de construção política.
Estamos falando de uma região metropolitana que tem em seu histórico uma linhagem de governadores que explicitamente operaram em nome da corrupção e do ganho próprio e de seus aliados, ao invés de construir agendas e políticas efetivas para todo o território.

A chamada “megaoperação” realizada ontem evidencia isso de forma dramática: uma repressão policial direcionada a áreas densamente povoadas, onde a infraestrutura urbana, responsabilidade do Estado, não chega. São territórios controlados pelo poder paralelo, sob financiamento e anuência dos grandes gestores da cidade. A ausência de políticas urbanas consistentes, de presença profissional qualificada e de projetos que integrem essas comunidades ao tecido da cidade formal não representa um mero detalhe técnico; trata-se de um fator estrutural da insegurança pública. Não se trata de falta de projeto, muito pelo contrário.

A violência de ontem não é “efeito imprevisto”: é reflexo de escolhas políticas orquestradas para a sensação de insegurança geral e consequentemente manutenção do ideário de um governador-salvador. Vamos juntos exigir e construir, com dignidade e presença, uma política diária e efetiva que consiga debater sobre a PEC da Segurança Pública, a PEC da reforma administrativa e outras que impactam nosso bem viver.

Manifestamos nossa solidariedade às famílias atingidas pelo conflito, nosso repúdio aos empregadores e instituições que ainda mantiveram as atividades normalmente para as pessoas moradoras do Complexo e reforçamos a urgência de um Rio de Janeiro planejado para a vida — e não para a guerra.