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  03/11/2019

Carta de repúdio às declarações de ameaça à democracia da família Bolsonaro

Carta de repúdio às declarações de ameaça à democracia da família Bolsonaro 

Venho por meio desta expressar preocupação mediante as últimas declarações proferidas pelo então presidente da república Jair Bolsonaro e por seu filho deputado federal Eduardo Bolsonaro nesta última semana de outubro de 2019.

As últimas postulações do presidente da república e de seu filho apontam uma gravíssima lógica advinda de quem nos governa. É muito séria a ameaça constante dos mesmos, cuja incapacidade de gerir o diálogo com os diferentes, e de unificar o tecido social tão diverso e massacrado do país, opta por defender os caminhos mais anti-democráticos que este País já teve. A ameaça aberta do presidente ao inimigo que ele constrói e diagnostica como esquerda comunista não é distante dos mais básicos discursos e narrativas dos totalitários, fascistas, nazistas, estalinistas, chavistas e diversos outros que já assumiram o poder na terra.

Quando seu filho vem a público defender a implementação de um novo AI-5, reforça e ratifica este desprezo da família Bolsonaro pelos mais simples princípios da democracia e dos direitos humanos. Seja o diálogo com o diferente, a separação dos poderes, o direito do espaço representativo da sociedade (através dos conselhos), a construção da política social com base nas múltiplas teses de quem nos representa. A quem o AI-5 afetaria diretamente? Segundo a família do presidente e ao próprio, aos "comunistas, esquerdistas, terroristas". O, porém ao qual devemos nos atentar é: eles, o presidente e sua família, é que definem que são estes inimigos. Os inimigos podem ser qualquer um de nós que simplesmente se oponham ou ameacem minimamente o poder da família Bolsonaro. 

Não devemos naturalizar as ações de um presidente da república que reforça constantemente o desprezo aos direitos mais básicos da liberdade, igualdade e diálogo entre os diversos pensamentos (princípios mínimos que a sua posição na república deve respeitar). Não devemos amenizar a fala de quem abertamente ameaça uma guerra contra parte do povo deste país, opera sobre a constante bandeira de espalhar o medo entre o povo. Lembramos a todos que o fascismo se alimenta deste tipo de narrativa e se fortalece, tornando-se perigoso a medida em que o cotidiano assimila que pode odiar e atacar o diferente.

O Brasil é muito maior e mais complexo do que qualquer polarização sem base concreta possa lhe definir. Nosso país sofrido e profundo não pode ficar no subjugo do medo constante pela vida, precisamos de um processo democrático que amplie os desejos de viver, recomponha as conexões populares, que implemente novamente o sentido de coletividade no cotidiano. O Brasil não se resume a grupos em guerra civil ou ideológica. Somos muito mais que isso e não podemos ser reféns de uma família que, por estar no poder, e por demonstrar incompetência para resolver questões que lhe cabem (os incêndios na amazônia e pantanal, a violência do derramamento de óleo nas praias do Nordeste, entre inúmeros outros), se amparam no poder e na ameaça. Parafraseando Candeia, não precisamos desta razão que só tem dois lados. Somos muito maiores que este caminho de pedras e nesse sentido, urge Brasil que, como nos ensinou Coralina, recriemos a vida sempre! Removamos pedras e plantemos roseiras e façamos doces!

Nossa democracia, no sentido mais amplo da palavra, precisa costurar um novo pacto social que exprima o mais belo e vivo desta nação. Defendemos um caminho que propicie mais democracia, mais igualdade e liberdade aos povos, respeitando a diversidade e a diferença que sempre foi nossa maior potencia cultural e social. Qualquer ameaça a isto deve ser repudiada abertamente por todos nós.

 

Rio de Janeiro, 03 de Novembro de 2019,

Subscrevo-me sem mais,

Rodrigo Bertamé

Sindicato dos Arquitetos no Estado do Rio de Janeiro

 

 

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