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  17/01/2017

Lider do MTST foi detido pela polícia enquanto negociava por 700 famílias da Ocupação Colonial

Até quando o direito à propriedade continuará acima do direito a moradia?!
 
Nessa manhã o coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, foi detido pela PM durante uma reintegração de posse na Ocupação Colonial, em São Paulo, onde dava apoio há mais de 700 famílias durante uma negociação com os policiais os termos da reintegração - por exemplo, de que maneira as famílias retirariam os pertences da área reintegrada.
 
Minutos após a prisão, Boulos falou ao blogueiro Leonardo Sakamoto, do UOL: "Cometem a violência de despejar 700 famílias e eu que sou preso por incitação à violência?", questionou.
 
De acordo com o MTST, 3 mil pessoas vivem na ocupação Colonial há mais de um ano. Imagens publicadas na página do Facebook do movimento mostram que houve confronto entre a polícia e sem teto.
 
Em nota, a Polícia Militar informou que atendeu o pedido para apoiar os oficiais de Justiça no cumprimento da reintegração de posse nesta terça-feira.
 
O Ministério Público informou que realizou na semana passada um pedido de suspensão da ação de reintegração de posse pois as famílias não foram cadastradas para outras áreas de destino. O pedido foi negado ontem (16) pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Em julho do ano passado, o MP já tinha pedido o cadastramento das famílias, mas a justiça não aceitou na época.
 
#LibertemOBoulos #LutarNãoÉCrime
 
 
Nota do MTST sobre o despejo de 700 famílias da Ocupação Colonial e a prisão do coordenador geral do movimento - Guilherme Boulos
 
"No despertar da manhã de hoje, centenas de policiais do batalhão de choque da polícia militar de São Paulo cercaram o terreno onde mais de 700 famílias estão ocupadas a mais de um ano no Jd. Colonial, zona leste de São Paulo.

Cerca de 3 mil pessoas: homens, mulheres, crianças, idosos, deficientes que foram jogados na rua por uma decisão judicial que considerou apenas os interesses do proprietário de um latifúndio urbano que só servira antes das pessoas morarem ali para especulação imobiliária..

A todo o momento, o MTST procurou alternativas para evitar o despejo, evitando assim um massacre de pessoas pobres que nada mais estavam que lutando pelo direito constitucional da moradia.

Infelizmente, nossos esforços foram em vão e a PM de Alckmin levou a frente uma ação desumana contra as famílias da ocupação Colonial.

Sem respostas favoráveis do poder público e do judiciário, os moradores se viram sem alternativas e partiram para a resistência a ordem de despejo

Mesmo a ocupação Colonial não sendo uma ocupação do MTST, o companheiro Guilherme Boulos, membro da coordenação nacional do MTST, acompanhou o processo desde o início a convite dos representantes da ocupação Colonial, na tentativa de encontrar um desfecho favorável para as famílias da ocupação.
No entanto, a PM de Alckmin, de forma autoritária, resolver prender o companheiro Guilherme Boulos sob a acusação de desobediência civil e por participar e organizar manifestações contra as medidas de retirada de direitos do governo ilegítimo de Michel Temer.

A prisão do Guilherme Boulos, assim como o despejo das famílias da ocupação Colonial são uma demonstração do modus operandi político criminalizatório em voga contra os movimentos sociais, contra os pobres, contra os direitos sociais e os serviços públicos.
Um verdadeiro absurdo, uma vez que Guilherme Boulos esteve o tempo todo procurando uma mediação para o conflito.
Neste momento, o companheiro Guilherme continua detido no 49ª DP de São Mateus.

Não aceitaremos calados que além de massacrarem o povo da ocupação Colonial, jogando-os nas ruas, ainda queiram prender aqueles que tentaram ajuda-los.

Continuaremos acompanhando as famílias e lutando contra esse despejo injusto.

Movimento dos Trabalhadores Sem Teto"

 

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